segunda-feira, 4 de junho de 2012

A BICA


A tempestade passou.
O vento, a relva molhada
com cheiro de infância,
a andorinha a adornar em arco o ar
insistentemente não querendo ir
a nenhum outro lugar.

A estrada de terra, o pé da serra,
os sonhos de menino,
rebento a ver no céu rasuras de brinquedos,
desenhos que mesclavam esperanças e medos.

Na bica, o ruir da água
quase morna da montanha
a se fazer de mundo.

Tudo é tão grande
quando se é pequeno
que um dia pode ser a eternidade,
uma folha que cai vira balão,
um arco-iris após a tempestade,
com certeza, é felicidade
de tão simples que é, sem ilusão.

A correnteza a esculpir na terra
formatos de pequenas serras
lembra que o mundo se modifica
com o vento que corre,
com o tempo que morre,
com o sonho no cheiro da relva
que sempre fica
nas esperanças, nos medos, na ave que voa,
na água que escorre latente ruído que verte
no bico da bica.                                 

Paulo Franco  

6 comentários:

  1. É lindo este poema! E por isso premiado :)
    Deixo um abraço para o meu amigo poeta que só sabe escrever lindo... E o blog também está ótimo, Paulo!
    Um grande abraço da Cris :)

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  2. Cris, obrigado pelo carinho. Um forte abraço!

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  3. Eu quero o livroooo! Amigo, vc não me espondeu os e-mails que te enviei, inclusive para o novo. Aguardo, bjbj! :)

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  4. Se tivesse de escolher algum texto seu pra resumir toda a obra, seria este. Gosto de todos os outros, mas especialmente deste. Volto aos meus 17 anos de idade e o vejo indo ou vindo do trabalho na Malharia, por aquela estrada, por Rio Grande, rumo a estação ou dela vindo. Leitura fotográfica de um tempo eterno na memória. Sou grato por ter o privilégio de poder chama-lo de amigo, mais que isso, de irmão."Lembra que o mundo se modifica
    com o vento que corre..."

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  5. Dirceu, meu irmão. Também sou grato por tê-lo conhecido. Abraços.

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