quarta-feira, 15 de junho de 2011


A MÁSCARA NO ESPELHO

No espelho
a máscara dirige o meu cenário
de mentiras que me acalmam
no espetáculo de contradições
que represento.

E vejo a sombra que de mim
nos outros resplandece
ser o que nem sei se sou,
mas que no outro
como espelho transparece.

Máscara em mímica
que incorpora o meu papel
e hipnotiza meus sentidos
encorajando a maquiagem 
que me imponho
pra pensar em outro sonho
diferente do que sou.

Um figurante que protagoniza
apenas as cenas de dor.
Dublê de si
que anestesia a cara confinada
num espelho que não tem mais cor.

Máscara despida à minha frente
refletindo as várias fantasias
que estão fora do espelho
em que me assisto.

Fecham-se as cortinas
e o auditório vai embora
enquanto um louco balbucia
que não teve graça
porque a máscara despida
de pirraça ou de pavor,
era a cara maquiada
do seu próprio autor.

                                                    Paulo Franco
POEMA CLASSIFICADO PARA PARTICIPAR DO CD LITERÁRIO
SUZANO - 2011
XIV PRÊMIO CIDADÃO DE POESIA - 2011 - LIMEIRA / SP
SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE LIMEIRA - SINECOL
3º LUGAR - CATEGORIA POESIA

                  CONCURSO "PRÊMIO CATARATAS" - CONTOS E POESIAS 
                  FUNDAÇÃO CULTURAL DE FOZ DO IGUAÇU/PR - 2011
                  9º LUGAR - CATEGORIA POESIA

                  I CONCURSO DE POESIA - REVISTA LITERÁRIA - 2010
                 PORTAL REVISTA LITERÁRIA
                 SINDICATO DOS ESCRITORES DO DISTRITO FEDERAL 
                 E SCORTECCI EDITORA
                 PUBLICAÇÃO EM ANTOLOGIA


                 XII FESTCAMPOS DE POESIA FALADA - 2010
                 FUNDAÇÃO CULTURAL JORNALISTA OSWALDO LIMA
                 DEPARTAMENTO DE LITERATURA  
                 CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ
                 POESIA FINALISTA 


O BRINCO
Na noite, cato, alheio a tudo, a tua mão
que faz pulsar os meus mistérios,
meus desconhecidos adultérios
a ressuscitarem o que nunca fui. 

Sereno mato a minha dor
e estrangulo quem não sou
para saber de mim.

E no outro dia, à luz do sol,
eu passo o sentimento a limpo,
verifico novamente se é um sonho
e acordado brinco
revivendo a tua mão em mim
e o meu amor intensifico
enquanto a minha, num deleite,
afagava o teu brinco.

Era de fato
o nosso ato impuro
no silêncio puro grito.
No meu peito o teu calor
fazendo aquilo que era dor
se transformar em infinito.



                                                                  Paulo Franco


               XXI CONCURSO DE POESIA 
              ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE PARANAPUÃ - ALAP
              TIJUCA/RIO DE JANEIRO - 2010
              MEDALHA DE BRONZE 

A PIPA

Os homens espiam os lírios
e os colibris, os homens.

Dos bancos das praças
os velhos olham as pipas
invejosos dos guris
que não enxergam as horas,
entretidos por uma eternidade
imaginária.

O tempo, um brinquedo
sem volta
qual o vento forte
que a linha arrebenta.

O menino espia a pipa
e não vê o céu.
O velho, o céu
sem enxergar o sol. 


Entre a pipa
e o horizonte
um vácuo de infinito
que o olhar
do menino
não atinge
enquanto que o velho
pressente. 

                                      Paulo Franco

                   XX PRÊMIO MOUTOUNNÉE DE POESIA - 2010
                   SECRETARIA DE CULTURA E TURISMO DE SALTO/SP
                   4º LUGAR - PUBLICAÇÃO EM ANTOLOGIA 
SONETO DO AMOR DESFEITO

O imperfeito amor que avassala
de infinito o coração em chama
e causa dor e embaraça a fala
atormentando o peito de quem ama

é o mesmo amor que a criança embala
quando recria num brinquedo um drama
ou o amor que o tirano cala
pra iludir e por a terra em chama.

É, com certeza, o sentir mais forte
que pode haver pra embriagar o peito,
pois gera vida e depois a morte

já que depois se torna rarefeito
e o sentimento que era a grande sorte
vira um vazio coração desfeito.

                                                Paulo Franco


                 CONCURSO NACIONAL DE POESIA CASSIANO NUNES - 2009
                 BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA/DF
                 MENÇÃO HONROSA E PUBLICAÇÃO 


BALUARTE

Debate-se um poema em toda alma presa.
Quando é bem demarcado, às vezes não tem rima.
Se tem um grande tema, falta-lhe a beleza
que exige o achado pra ser obra prima.

E o artista a procurar a arte de grandeza,
sabendo que a procura é o que ilumina,
se perde a meditar, à caça de sua presa,
qual louco atrás da cura para a própria sina.

Então em instante raro onde a poesia,
qual deusa de um castelo, presa em baluarte,
clareia-lhe o faro como a luz do dia

e o artista vira um elo para outra parte
e o verbo de tão claro a alma contagia
enfim, o imenso belo que só há em arte. 

                                                        Paulo Franco


                 4º CONCURSO NACIONAL DE POESIAS
                 PRÊMIO “AFFONSO ROMANO DE SANT’ANA” - 2008
                 SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE COLATINA/ES
                 MENÇÃO HONROSA E PUBLICAÇÃO

ALÉM DAS CERCAS DO QUINTAL


Falta coragem para ir à janela
e libertar os sonhos
que se entulham nos valores
que deprimem nossa cela.

Falta coragem pra se amar
como se ama quem nos ama a sós.
Aquele amor libertinado, de prazer de antes,
de prazer de meio e eternizado após.

Falta coragem para o sim
quando se emprega o não,
impregnado de amarras que deprimem
a liberdade que alimenta o coração.

Falta coragem para o não
quando se acata o sim à revelia da vontade,
em cumprimento ao estabelecido
que deturpa a nossa verdade.

Falta coragem pra mudar de rumo
ainda que preciso fosse a marcha ré,
para que a vida seja, tão somente,
a plenitude que ela já é.

Falta coragem pra beijar na boca,
pro abraço e pra revolução,
mesmo que revolucionariamente
a gente só liberte a nossa emoção.


Falta coragem
pra quebrar as cercas deste mal
e ver o mundo além dos muros,
além dos horizontes do nosso quintal.

                                            Paulo Franco


                  CONCURSO DE POESIAS NAVEGANTES DAS ESTRELAS
                 1º LUGAR – 2007

                 ELEITA A POESIA DO ANO DE 2007
                 COMUNIDADE NAVEGANTES DAS ESTRELAS

OLHARES

Olhamos de lado

e nos olha o outro,
mudo, num mundo surdo,
a nos espreitar
como se um espelho fosse
a representar, talvez,
uma outra parte do que somos.

E profundamente
vasculhamos o outro lado do outro,
a nos procurar.
E olhares outros repartimos na escuridão
pra clarear a multiplicidade de sentidos
no que olhamos.

Olhares que são grãos de areia
no infinito da procura.
Mar de buscas nestes prantos.
Acalantos pro sonhar
que no horizonte perde-se entre encantos
sem ter cura.

E para nos encontrar do outro lado
do que imaginamos que vemos neste vai e vem,
olhamos desesperançados do outro lado da rua
como o prisioneiro que transcende
para a liberdade que não tem.

E do outro lado o outro nos olha de lado,
disfarçando o sentimento como lhe convém,
procurando nos olhares que se perdem
o mesmo intrigante achado
que o outro procura também.

Paulo Franco

I CONCURSO DE POESIA BRINCANDO DE POETAR
1º LUGAR – 2007