terça-feira, 14 de junho de 2011

A PUTA

Um dia te deram um nome provisório
o qual permutaram pelo de esposa.
Chamaram-te menina, menina moça
e de menina em menina, mulher.

Deram-te lições de corte,
costuraram a tua boca,
maquiaram-te em moldura
de barroco efeito
e te fizeram dar a vida
para proteger o fruto virginal perfeito.

E com as regras de ternura
tornaram-te a imprestável candura
reprodutora do ócio mortal do lar.

Mas tudo bem,
no fim, te prometeram um bem.
Ensinaram-te a ser doce para o amargo do par,
amar cedendo sempre a tua parte,
amar com arte coibindo a tua libido,
gemendo a dor do cotidiano
para amenizar o teu engano
e satisfazer teu marido.

E como já de berço
rezaram-te todos os terços
com as regras de etiqueta,
menstruação e boa conduta,
caso percas o recato
arrancarão teu retrato
pra te tomarem o nome
e te chamarem de puta.
                                                Paulo Franco 
1º LUGAR - 2007
I CONCURSO DE POESIAS SOBRE A MULHER
COLÉGIO BRASILEIRO DE POETAS