quarta-feira, 15 de junho de 2011


A PIPA

Os homens espiam os lírios
e os colibris, os homens.

Dos bancos das praças
os velhos olham as pipas
invejosos dos guris
que não enxergam as horas,
entretidos por uma eternidade
imaginária.

O tempo, um brinquedo
sem volta
qual o vento forte
que a linha arrebenta.

O menino espia a pipa
e não vê o céu.
O velho, o céu
sem enxergar o sol. 


Entre a pipa
e o horizonte
um vácuo de infinito
que o olhar
do menino
não atinge
enquanto que o velho
pressente. 

                                      Paulo Franco

                   XX PRÊMIO MOUTOUNNÉE DE POESIA - 2010
                   SECRETARIA DE CULTURA E TURISMO DE SALTO/SP
                   4º LUGAR - PUBLICAÇÃO EM ANTOLOGIA 

Nenhum comentário:

Postar um comentário