terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

INFINITO

Sobre uma parte
do que sei, escrevo
e se não sei, me calo.
E do que escrevo,
uma parte eu nem sei,
e mesmo assim, às vezes, falo.


Sobre o que sinto
uma parte escrevo
pra tentar saber
o que de mim eu minto.


E nunca sei se escrevo
a parte que me cabe
do que sei de mim
e , às vezes, calo
pra fingir o que não sinto.


E sei que do que sei,
à parte, no que escrevo,
parte não me cabe
já que eu só pressinto.


E no que sinto deste pressentir
há o conflito entre o silêncio e o grito
transformando o poema
em linguagem de infinito.


Paulo Franco


1º Lugar – IV Varal de Poesias – Maringá-PR

SONETO DO AMOR IMPERFEITO

Não quero mais buscar o amor perfeito
pra camuflar o sentimento em chama
e amortecer o que me dói no peito,
a mesma dor de todo ser que ama.


Que amar assim, eu sei, não é direito,
pois todo peito preso nesta trama
adoecido faz do olhar um leito
pra adormecer a fonte deste drama.


Vou procurar amar só o instante
um amor maior, porém um passageiro
tão transeunte quanto o amante


que tenha amores pelo mundo inteiro
e ao invés da dor o peito sempre cante
o imperfeito amor que é o verdadeiro.


Paulo Franco


Medalha Cecília Meireles
I Concurso Nacional de Poesia de Cordeiro-RJ