segunda-feira, 29 de abril de 2019

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

As Estações



"AS ESTAÇÕES"

Produzido por Vinícius Franco

Música original: "Corpo Fechado" - de Vinícius Franco

sábado, 20 de maio de 2017

NOVO LIVRO DE PAULO FRANCO - A RUA DOS DIAS
R$ 20,00
PONTO DE VENDA:
-Banca do Terminal Rodoviário de Ribeirão Pires

DIRETO COM O AUTOR:
E-mail: poetapaulofranco@hotmail.com
CEL: 972747780
Envio para todo o Brasil. Frete R$ 5,00

quarta-feira, 17 de maio de 2017

OLHARES

         O BOBO
Sereno mato a minha dor
e estrangulo quem não sou
para saber de mim.

Acato a solidão que me detém
na multidão extasiada
que maquia os seus prantos
com comédias sobre um nada
que jamais tem fim.

O roteiro é um silêncio
de caras e bocas que se movem
entre as farsas de um amor ruim.

Do lírico ao trágico, um instante.
Script incerto
onde o tempo é da morte
o seu fiel amante.

Um bobo cortejado pela corte
que sorri da pantomima
que dispersa o foco do seu drama
pra fingir que é ironia
a traição do coração que se comporta
           pra esconder o que de fato ama.             
Paulo Franco


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

OS VENTOS

Lembro-me dos ventos
nos agostos
da minha infância.

Na inexatidão
dos sonhos de criança,
involuntária,
a esperança
era uma marcha de fé.

Os cheiros, as manhãs,
os orvalhos
eram as partes de um eterno
presente futuro
como se o tempo não tivesse muro
e a vida caminhasse de marcha a ré.

O infinito não passava
da primeira esquina,
o universo estava na ponta da linha
em desenhos leves
nas rabiolas das pipas
que se mesclavam ao balé das aves de rapina.

A galinha no quintal
era como um deus ciscando o mundo
à caça de felicidades
sob um sol não refletido
já que a lamparina era a luz possível
a amenizar a escuridão.

A bola, o estilingue, a mãe,
a bica de águas cristalinas,
alimentavam o poeta de calças curtas
que ainda não sabia
a razão de quase nada
mas que se assustava com as crenças sobre o fim do mundo.

Lembro-me dos ventos dos agostos
porque os sentia com mais contundência.


 Lembro-me da fome
e de quem, como em santa ceia
sem multiplicação de pães,
repartia-nos o pouco que havia
como a manter-se pela Providência
de um amor imensurável.

O tempo era o passageiro instante
a trepidar nos galhos das árvores
que derramavam folhas amarelas
sobre as trilhas das arapucas mal armadas
meio a araçás em um quintal desconhecido de grande,
mas aquecido por brincadeiras de roda.

Mas o tempo nos ventos
esvaiu-se. Assim como os agostos e as décadas.
Na lembrança
a criança guardada em algum ponto
do cinquentenário passando.

Criança e homem que brincam
em tempos distintos
no mesmo corpo
que por instinto
vê no vento um horizonte
de intentos e pipas que tremulam.

Frágeis linhas
de um belo a bailar no olhar
na arte de sentir
o que o tempo como vento
na lembrança nos permite eternizar.           Paulo Franco 


1º LUGAR NO 7º PRÊMIO LITERÁRIO "ACRÌSIO DE CAMARGO"
PREFEITURA E SECRETARIA DE CULTURA DE INDAIATUBA
PRÊMIO: R$ 2.000,00 E PUBLICAÇÃO NO JORNAL DE INDAIÁ - 2011

POEMA FINALISTA NO 
IV FESTIVAL ABERTO DE POESIA FALADA DE SÃO FIDÉLIS
SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA - 2012

2º LUGAR NO IX PRÊMIO BARUERI DE LITERATURA
SECRETARIA DE CULTURA E TURISMO - 2012


1ª MENÇÃO HONROSA NO
CONCURSO LITERÁRIO FELIPPE D'OLIVEIRA - EDIÇÃO 2014
SECRETARIA DE MUNICÍPIO DA CULTURA
PREFEITURA DE SANTA MARIA

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A TERRA DAS CRIANÇAS PRETAS


E os soldados brancos
sentinelam as crianças pretas.
E as crianças pretas
já não brincam de marchar
e observam os desfiles
dos soldados brancos.


E os soldados brancos
nunca brincam
vigiando
esta terra de crianças pretas.


E as crianças pretas
se acostumam a jamais serem soldados
e só brincam de crianças pretas
dominadas por soldados brancos.


...Pois que ser soldado
deve ser só para crianças brancas
que já nascem dominando
até os sonhos das crianças pretas.


Paulo Franco