sábado, 20 de maio de 2017

NOVO LIVRO DE PAULO FRANCO - A RUA DOS DIAS
R$ 20,00
PONTO DE VENDA:
-Banca do Terminal Rodoviário de Ribeirão Pires

DIRETO COM O AUTOR:
E-mail: poetapaulofranco@hotmail.com
CEL: 972747780
Envio para todo o Brasil. Frete R$ 5,00

quarta-feira, 17 de maio de 2017

OLHARES

         O BOBO
Sereno mato a minha dor
e estrangulo quem não sou
para saber de mim.

Acato a solidão que me detém
na multidão extasiada
que maquia os seus prantos
com comédias sobre um nada
que jamais tem fim.

O roteiro é um silêncio
de caras e bocas que se movem
entre as farsas de um amor ruim.

Do lírico ao trágico, um instante.
Script incerto
onde o tempo é da morte
o seu fiel amante.

Um bobo cortejado pela corte
que sorri da pantomima
que dispersa o foco do seu drama
pra fingir que é ironia
a traição do coração que se comporta
           pra esconder o que de fato ama.             
Paulo Franco


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

OS VENTOS

Lembro-me dos ventos
nos agostos
da minha infância.

Na inexatidão
dos sonhos de criança,
involuntária,
a esperança
era uma marcha de fé.

Os cheiros, as manhãs,
os orvalhos
eram as partes de um eterno
presente futuro
como se o tempo não tivesse muro
e a vida caminhasse de marcha a ré.

O infinito não passava
da primeira esquina,
o universo estava na ponta da linha
em desenhos leves
nas rabiolas das pipas
que se mesclavam ao balé das aves de rapina.

A galinha no quintal
era como um deus ciscando o mundo
à caça de felicidades
sob um sol não refletido
já que a lamparina era a luz possível
a amenizar a escuridão.

A bola, o estilingue, a mãe,
a bica de águas cristalinas,
alimentavam o poeta de calças curtas
que ainda não sabia
a razão de quase nada
mas que se assustava com as crenças sobre o fim do mundo.

Lembro-me dos ventos dos agostos
porque os sentia com mais contundência.


 Lembro-me da fome
e de quem, como em santa ceia
sem multiplicação de pães,
repartia-nos o pouco que havia
como a manter-se pela Providência
de um amor imensurável.

O tempo era o passageiro instante
a trepidar nos galhos das árvores
que derramavam folhas amarelas
sobre as trilhas das arapucas mal armadas
meio a araçás em um quintal desconhecido de grande,
mas aquecido por brincadeiras de roda.

Mas o tempo nos ventos
esvaiu-se. Assim como os agostos e as décadas.
Na lembrança
a criança guardada em algum ponto
do cinquentenário passando.

Criança e homem que brincam
em tempos distintos
no mesmo corpo
que por instinto
vê no vento um horizonte
de intentos e pipas que tremulam.

Frágeis linhas
de um belo a bailar no olhar
na arte de sentir
o que o tempo como vento
na lembrança nos permite eternizar.           Paulo Franco 


1º LUGAR NO 7º PRÊMIO LITERÁRIO "ACRÌSIO DE CAMARGO"
PREFEITURA E SECRETARIA DE CULTURA DE INDAIATUBA
PRÊMIO: R$ 2.000,00 E PUBLICAÇÃO NO JORNAL DE INDAIÁ - 2011

POEMA FINALISTA NO 
IV FESTIVAL ABERTO DE POESIA FALADA DE SÃO FIDÉLIS
SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA - 2012

2º LUGAR NO IX PRÊMIO BARUERI DE LITERATURA
SECRETARIA DE CULTURA E TURISMO - 2012


1ª MENÇÃO HONROSA NO
CONCURSO LITERÁRIO FELIPPE D'OLIVEIRA - EDIÇÃO 2014
SECRETARIA DE MUNICÍPIO DA CULTURA
PREFEITURA DE SANTA MARIA

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A TERRA DAS CRIANÇAS PRETAS


E os soldados brancos
sentinelam as crianças pretas.
E as crianças pretas
já não brincam de marchar
e observam os desfiles
dos soldados brancos.


E os soldados brancos
nunca brincam
vigiando
esta terra de crianças pretas.


E as crianças pretas
se acostumam a jamais serem soldados
e só brincam de crianças pretas
dominadas por soldados brancos.


...Pois que ser soldado
deve ser só para crianças brancas
que já nascem dominando
até os sonhos das crianças pretas.


Paulo Franco

segunda-feira, 9 de março de 2015

A PUTA

Um dia te deram um nome provisório
o qual permutaram pelo de esposa.
Chamaram-te menina, menina moça
e de menina em menina, mulher.
Deram-te lições de corte,
costuraram a tua boca,
maquiaram-te em moldura
de barroco efeito
e te fizeram dar a vida
para proteger o fruto virginal perfeito.
E com as regras de ternura
tornaram-te a imprestável candura
reprodutora do ócio mortal do lar.
Mas tudo bem,
no fim, te prometeram um bem.
Ensinaram-te a ser doce para o amargo do par,
amar cedendo sempre a tua parte,
amar com arte coibindo a tua libido,
gemendo a dor do cotidiano
para amenizar o teu engano
e satisfazer teu marido.
E como já de berço
rezaram-te todos os terços
com as regras de etiqueta,
menstruação e boa conduta,
caso percas o recato
arrancarão teu retrato
pra te tomarem o nome
e te chamarem de puta.
PAULO FRANCO
I CONCURSO DE POESIAS SOBRE A MULHER
COLÉGIO BRASILEIRO DE POETAS
1º LUGAR – CATEGORIA POESIA
OBRA: A PUTA

domingo, 17 de agosto de 2014


SONETO DO AMOR IMPERFEITO

Não quero mais buscar o amor perfeito
pra camuflar o sentimento em chama
e amortecer o que me dói no peito,
a mesma dor de todo ser que ama.

Que amar assim, eu sei, não é direito,
pois todo peito preso nesta trama
adoecido faz do olhar um leito
pra adormecer a fonte deste drama.

Vou procurar amar só o instante
um amor maior, porém um passageiro
tão transeunte quanto o amante

que tenha amores pelo mundo inteiro
e ao invés da dor o peito sempre cante
o imperfeito amor que é o verdadeiro.

Paulo Franco

1º LUGAR - Concurso Diário do Litoral
1º LUGAR - PRÊMIO LICINHO CAMPOS DE POESIAS DE AMOR
GRUPO DE POETAS LIVRES - REVISTA VENTOS DO SUL